Você já reparou que existem mais idosos andando nas ruas? Isso não é só impressão: segundo o IBGE, a população com mais de 60 anos cresce em ritmo acelerado.

A ONU já posiciona o Brasil entre as seis nações com o maior número absoluto de idosos no mundo, com projeção de estar entre as cinco populações mais envelhecidas até 2030.

E o que muda quando uma sociedade envelhece?

Envelhecer nunca foi só uma questão individual, é também um fenômeno coletivo e o Brasil está no meio dele. Quando a pirâmide etária de um país se transforma, praticamente tudo ao redor precisa se reorganizar: previdência, sistema de saúde, mercado de trabalho, desenho das cidades, moradia e transporte.

Isso já aparece em detalhes do dia a dia que a gente nem sempre associa ao envelhecimento: calçadas sem bancos para descansar, letras pequenas demais em bulas e contratos, ambientes de trabalho que raramente contemplam corpos com mais de 60 anos, currículos "engavetados" por causa da idade.

O etarismo, ou preconceito por idade, costuma ser mais sutil que outras formas de discriminação e, por isso, mais difícil de perceber e combater. Há também um efeito silencioso: o isolamento social. À medida que a rede de convívio se estreita, com a aposentadoria, filhos que saem de casa, perda de amigos e cônjuges, a solidão se torna um risco tão relevante quanto qualquer condição física e ainda assim recebe muito menos atenção nas políticas públicas e nos ambientes corporativos.

Por outro lado, o envelhecimento populacional também abre espaço para algo novo: mais gerações convivendo ao mesmo tempo do que em qualquer outro momento da história, e uma economia inteira, a chamada "economia da longevidade", se formando ao redor de produtos, serviços e cuidados pensados para essa fase da vida.

Se as próximas décadas vão mesmo ter mais pessoas velhas do que jovens, a pergunta não é "o que fazemos por elas” e sim "que tipo de sociedade estamos construindo para o lugar onde todos nós vamos chegar". Naturalizar o envelhecimento talvez seja um dos grandes desafios, mas o primeiro passo para tratar melhor quem já vive essa fase e provocar as mudanças sociais tão necessárias para que todos envelheçam melhor.

Dia 01/10 foi constituído pela ONU como o Dia Internacional da Pessoa Idosa em 1990, com celebração a partir de 1991, para reconhecer as contribuições das pessoas mais velhas e chamar atenção para os desafios do envelhecimento, desde acesso à saúde até participação social.

Dar visibilidade ao envelhecimento não é só sobre uma data no calendário, é sobre incluir pessoas mais velhas nas conversas, nos ambientes de trabalho, nas campanhas de saúde e nas decisões que afetam todos nós, afinal, não é para lá que todo mundo está indo?

Nossa reflexão final:

O que você pensa sobre envelhecer?

Já observou as pessoas ao seu redor envelhecendo? O que mudou?

Que tal começar puxando essa conversa com alguém hoje?

 

Referências:

Biblioteca Virtual em Saúde. Ministério da Saúde. 01/10 – Dia Internacional das Pessoas Idosas. bvsms.saude.gov.br

Fenacor, com dados do IBGE. Número de idosos já supera o de jovens de 15 a 24 anos. fenacor.org.br

Agência Senado. Envelhecimento da população impulsiona novas ações em defesa dos idosos. senado.leg.br

CNN Brasil. O que é etarismo e como a discriminação por idade impacta a vida de idosos. cnnbrasil.com.br

 

Amanda Almeida

Enfermeira

Coren 140980