Você já percebeu como os jogos e apostas on-line passaram a fazer parte da rotina de muita gente? Um clique aqui, uma aposta ali, aquela sensação de “quase ganhar” ... e, quando percebemos, o assunto deixou de ser apenas entretenimento.

O problema é que os impactos dos jogos on-line vão muito além do bolso.

Quando jogar deixa de ser diversão

O jogo patológico é considerado um transtorno psiquiátrico, semelhante às dependências químicas, porque ativa no cérebro os mesmos mecanismos de recompensa.

Na prática, a pessoa começa jogando por diversão ou distração, mas aos poucos perde o controle, mesmo diante de prejuízos financeiros, conflitos familiares e sofrimento emocional.

Segundo o Ministério da Saúde, o SUS registrou um aumento de mais de 54% nos atendimentos relacionados a transtornos associados ao jogo entre 2023 e 2024. E esse número chama atenção para uma questão importante: o jogo compulsivo não é falta de controle ou “fraqueza”. É uma condição de saúde reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os impactos na saúde

O jogo compulsivo está fortemente ligado à ansiedade, depressão, irritabilidade e isolamento social. Muitas pessoas usam as apostas para aliviar tristeza, estresse ou solidão, criando um ciclo difícil de interromper.

E o corpo também sente os efeitos. O excesso de jogos e apostas pode afetar o sono, a alimentação, a prática de atividade física e aumentar o estresse do organismo. Em adultos, isso pode provocar dores de cabeça, pressão alta, tensão muscular e problemas gastrointestinais.

O impacto financeiro preocupa

Muitas vezes, tudo começa com pequenas apostas. Mas o problema pode crescer rapidamente.

Estudos mostram que as apostas on-line já estão entre os principais fatores de endividamento das famílias brasileiras. O mais preocupante é que muitos jogadores acreditam que conseguirão recuperar o dinheiro perdido com novas apostas — o que acaba aumentando ainda mais os prejuízos.

Sinais de alerta

Alguns comportamentos merecem atenção:

  • pensar constantemente em apostas;
  • dificuldade para parar;
  • irritação ou ansiedade sem jogar;
  • mentir sobre gastos;
  • apostar para fugir de problemas emocionais;
  • tentar recuperar perdas apostando novamente;
  • comprometer relacionamentos ou a vida financeira.

Se esses sinais estiverem presentes, é importante buscar ajuda.

Buscar apoio faz diferença

Hoje existem diferentes formas de apoio, como os CAPS pelo SUS, grupos dos Jogadores Anônimos (JA), atendimento psicológico especializado e canais como o CVV (188).Além disso, já existe a possibilidade de autoexclusão de plataformas de apostas autorizadas, ajudando quem deseja retomar o controle.

Falar sobre o assunto é essencial

O transtorno do jogo é real, tem tratamento e pode ser controlado quando identificado precocemente.Por isso, é importante falar sobre o tema sem julgamentos. Afinal, diversão saudável é aquela que não coloca em risco a saúde, os relacionamentos e a qualidade de vida.