Você já reparou que existem mais idosos andando nas ruas? Isso não é só impressão: segundo o IBGE, a população com mais de 60 anos cresce em ritmo acelerado. 

A ONU já posiciona o Brasil entre as seis nações com o maior número absoluto de idosos no mundo, com projeção de estar entre as cinco populações mais envelhecidas até 2030. 

E o que muda quando uma sociedade envelhece? 

Envelhecer nunca foi só uma questão individual, é também um fenômeno coletivo e o Brasil está no meio dele. Quando a pirâmide etária de um país se transforma, praticamente tudo ao redor precisa se reorganizar: previdência, sistema de saúde, mercado de trabalho, desenho das cidades, moradia e transporte. 

Isso já aparece em detalhes do dia a dia que a gente nem sempre associa ao envelhecimento: calçadas sem bancos para descansar, letras pequenas demais em bulas e contratos, ambientes de trabalho que raramente contemplam corpos com mais de 60 anos, currículos "engavetados" por causa da idade.  

O etarismo, ou preconceito por idade, costuma ser mais sutil que outras formas de discriminação e, por isso, mais difícil de perceber e combater. Há também um efeito silencioso: o isolamento social. À medida que a rede de convívio se estreita, com a aposentadoria, filhos que saem de casa, perda de amigos e cônjuges, a solidão se torna um risco tão relevante quanto qualquer condição física e ainda assim recebe muito menos atenção nas políticas públicas e nos ambientes corporativos. 

Por outro lado, o envelhecimento populacional também abre espaço para algo novo: mais gerações convivendo ao mesmo tempo do que em qualquer outro momento da história, e uma economia inteira, a chamada "economia da longevidade", se formando ao redor de produtos, serviços e cuidados pensados para essa fase da vida.